31 de janeiro de 2018 às 10:23

Apple vai ter que se explicar à justiça dos EUA por lentidão nos iPhones

A novela continua para a Apple por não ter sido muito clara com seus usuários sobre um recurso que reduzia o desempenho dos iPhones mais antigos em certas situações de uso intenso.

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A novela continua para a Apple por não ter sido muito clara com seus usuários sobre um recurso que reduzia o desempenho dos iPhones mais antigos em certas situações de uso intenso.

Nesta terça-feira (30), o Departamento de Justiça e a SEC (reguladora da bolsa americana) confirmaram o início de investigações para saber se a Apple tornou mais lento de propósito o funcionamento de modelos anteriores do iPhone, informou a agência "Bloomberg" e "AFP".

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A investigação nos EUA busca determinar se o grupo advertiu de maneira clara seus usuários sobre os efeitos concretos desta intervenção, ou seja, a desaceleração dos aparelhos.

A Apple não respondeu nesta terça-feira os pedidos de comentário da AFP, e a SEC e o Departamento de Justiça se negaram a comentar o assunto.

Em dezembro, a Apple admitiu que modificou os programas de alguns modelos de iPhone (iPhones 6, 6S, SE e 7) para impedir que parassem de funcionar de repente. 

Na versão da Apple, isso é algo que pode ocorrer quando as baterias começam a dar sinais de envelhecimento e que podem acarretar em desligamentos temporários do celular. As fabricantes rivais negam que fazem isso.

Como parte da desculpa aos consumidores, a empresa deu um superdesconto para quem quiser trocar sua bateria velha por uma nova, e assim evitar que o recurso que traz lentidão de desempenho seja ativado.

Nos EUA, o preço cairá de US$ 79 para US$ 29; no Brasil, de R$ 449 para R$ 149. Mas nisso ela criou um novo problema: onde foi parar todo aquele discurso da companhia de cuidar do meio ambiente?

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Em 5 de janeiro, a justiça francesa abriu uma investigação contra a Apple por "obsolescência programada". Grupos de usuários acusaram a companhia de ter ocultado a modificação nos aparelhos e de ter feito isso com o objetivo de impulsar as vendas de seus modelos mais recentes.

A denúncia partiu de uma entidade francesa de combate à obsolescência programada, tendência de desenvolver produtos que se tornam rapidamente obsoletos.

João Carlos Lopes Fernandes, professor de Engenharia de Computação do Instituto Mauá de Tecnologia, disse ao UOL que não acredita nessa teoria da obsolescência e que a marca só teria a perder se tirasse rapidamente do mercado toda a sua linha antiga de produtos. 

"Os processadores antigos costumam ficar um bom tempo no mercado. Quando surgem os novos, cai o preço do processador mais antigo, que pode chegar a metade do preço. Quando veio o iPhone X, o iPhone 7 teve queda de preço, por exemplo", diz Fernandes.

De qualquer forma, a falta de transparência da Apple com o polêmico recurso levou a processos de consumidores nos EUA, na Austrália e em Israel. Nos EUA, o site "Patently Apple" contabiliza várias ações contra a Apple, sendo que uma delas pede US$ 999 bilhões de indenização.

A Procon-SP notificou em 3 de janeiro a Apple Brasil para obter mais informações sobre a mudança no software e detalhes sobre o novo programa de troca de baterias. A empresa teve 10 dias para se manifestar, mas ainda não foi informado se isso aconteceu.

(Com agência AFP)

Fonte: UOL

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