16 de maio de 2018 às 12:35

Com falhas, 2ª temporada de "13 Reasons Why" cativa e tenta responder a críticas

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“13 Reasons Why” faz parte de uma tendência que tem se tornado irreversível nas séries: a renovação para uma nova temporada mesmo após a história, para todos os efeitos, ter sido encerrada. Estão nesse grupo “Big Little Lies” e “La Casa de Papel”, mas é à série adolescente que cabe o fardo de ser a primeira a entrar nesse território desconhecido com sua segunda temporada, que chega à Netflix nesta sexta-feira (18).

A história de Hannah Baker (Katherine Langford), a jovem que decide tirar a própria vida e deixa 13 fitas-cassete narrando os motivos que a levaram a isso, monopolizou as atenções de forma que poucas produções conseguem, conquistando um séquito de fãs fieis ao mesmo tempo em que era alvo de controvérsia nos círculos médicos por conta de suas cenas hiper-realistas de suicídio e abuso sexual. E, verdade seja dita, nenhuma emissora ou serviço de streaming deixaria um sucesso desses passar em branco.

Talvez fosse melhor mexer em time que não está ganhando. Mas a nova temporada de “13 Reasons Why” consegue cativar apesar de derrapar em certas escolhas narrativas e de não ter o impacto da primeira, que fazia um estudo a fundo sobre os impactos que o bullying escolar e os abusos podem ter sobre uma pessoa.

Clay (Dylan Minette) fala com Hannah (Katherine Langford) em cena da segunda temporada de "13 Reasons Why" Imagem: Divulgação/Netflix

Agora, não são as fitas de Hannah que conduzem a narrativa, mas os depoimentos daqueles ligados a ela. Meses após os eventos do fim da primeira temporada, o processo movido pelos pais da garota contra a escola, que teria sido negligente, finalmente começa a ser julgado. A cada episódio, um novo personagem se senta no banco das testemunhas para contar sua versão da história.

Clay (Dylan Minette), que divide o protagonismo com Hannah, tenta seguir em frente namorando Skye (Sosie Bacon), uma jovem que também lida com problemas emocionais, mas segue assombrado pela presença da garota por quem era apaixonado. Literalmente: o rapaz passa a ter visões de Hannah e a conversar com ela. O recurso, altamente questionável, pouco acrescenta à trama, servindo mais como uma muleta para explicar sentimentos e acontecimentos que não necessitavam de uma exposição tão didática. Katherine Langford e Dylan Minette, porém, conseguem evitar que as cenas da dupla caiam no ridículo completo com suas atuações sensíveis.

O outro grande problema dos novos episódios está ligado à opção de exibir o ponto de vista dos outros personagens. Novos eventos são revelados e, ainda que eles não contradigam diretamente os da primeira temporada, acabam prejudicando a coerência interna da série, pois são muito significativos para supostamente terem sido deixados de fora das fitas de Hannah.

"13 Reasons Why”, entretanto, ainda tem seus trunfos. A série, cheia de boas atuações, é uma das poucas que consegue retratar de forma séria e emocional os dramas dos adolescentes em toda sua crueza: a tristeza, o luto, os conflitos, a necessidade de se auto-afirmar e criar uma identidade enquanto há todo um grupo tentando lhe aplicar um rótulo. E, por isso mesmo, ela consegue cativar.

Atenção especial é dada à história de Jessica (Alisha Boe), que tem de lidar com sua condição de sobrevivente de estupro enquanto vê seu abusador, o atleta Bryce (Justin Prentice), circular livremente pelos corredores da escola. A trama, facilmente a mais bem-construída da temporada, coloca em xeque a cultura machista que ainda encontra terreno fértil em muitas escolas – e soa particularmente apropriada a um momento em que a opinião pública vê nomes como os do produtor Harvey Weinstein e do ator Kevin Spacey finalmente serem responsabilizados por crimes sexuais.

A série também se mostra muito consciente da controvérsia em torno de seus temas centrais, para o bem e para o mal. Aos alertas antes dos episódios com cenas mais pesadas, somam-se uma mensagem do elenco logo ao início da temporada, e um direcionamento para um site com informações e o número do CVV (Centro de Valorização da Vida), exibido ao fim de cada episódio. O roteiro de Bryan Yorkey também parece interessado em responder de forma mais direta às críticas feitas à primeira temporada – o que nem sempre vem de forma natural.

O resultado de “13 Reasons Why” é irregular, mas sua dose de acertos consegue satisfazer o espectador. A questão, agora, é: haverá fôlego para uma terceira temporada? Pelo final da segunda, essa é a intenção – mas pode ser melhor que ela fique apenas na imaginação.

Fonte: UOL

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