16 de abril de 2018 às 18:19

Mais barato, novo tratamento para hepatite C garante 97% de chance de cura

Um tratamento acessível para hepatite C mostrou ser seguro e eficaz, com taxas de cura extremamente altas, inclusive para pacientes com casos difíceis de tratar, de acordo com os resultados de um ensaio clínico provisório, apresentado pela organização de

Um tratamento acessível para hepatite C mostrou ser seguro e eficaz, com taxas de cura extremamente altas, inclusive para pacientes com casos difíceis de tratar, de acordo com os resultados de um ensaio clínico provisório, apresentado pela organização de pesquisa e desenvolvimento sem fins lucrativos DNDi (iniciativa de Drogas para Doenças Negligenciadas), na França.

A DNDi está trabalhando com a farmacêutica egípcia Pharco Pharmaceuticals para trazer um tratamento combinado de dois medicamentos para a doença, o ravidasvir (novo) e o sofosbuvir (já usado, inclusive no Brasil), para países que não podem pagar os altos custos do tratamento atual. 

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O tratamento deve custar US$ 300 por 12 semanas, ou US$ 3,50 por dia, uma queda de quase 100% dos preços de tratamento existentes na Malásia, por exemplo, onde o custo de outros medicamentos para hepatite C produzidos por grandes farmacêuticas chega a dezenas de milhares de dólares.

No Brasil, a ideia é que, com o novo modelo, o valor por tratamento caia de U$ 6,9 mil para U$ 3 mil, possibilitando a inclusão de até três vezes mais pessoas do que as atendidas atualmente no SUS.

A DNDi disse que 97% dos pacientes foram curados após serem tratados com a pílula combinada por 12 semanas. Mesmo casos difíceis de tratar, como pessoas com HIV ou cirrose hepática, apresentaram taxas de cura muito altas, de 96% e 97%, respectivamente.

"Os resultados indicam que a combinação sofosbuvir e ravidasvir é comparável às melhores terapias de hepatite C disponíveis atualmente, mas tem um preço acessível e poderia permitir uma opção alternativa em países excluídos dos programas de acesso a empresas farmacêuticas", diz Bernard Pécoul, diretor executivo da DNDi.

A hepatite C √© transmitida pelo compartilhamento de seringas contaminadas (ou objeto cortante), transfus√£o de sangue e rela√ß√Ķes sexuais desprotegidas Imagem: iStock

A DNDi conduziu um experimento com 301 adultos cronicamente infectados para avaliar a eficácia, segurança e tolerância do medicamento candidato ravidasvir combinado com sofosbuvir. Os participantes sem cirrose no fígado foram tratados por 12 semanas e os com cirrose por 24 semanas. Após o término do tratamento, as taxas de cura foram muito altas: 96% das pessoas com cirrose hepática foram curadas, 97% das pessoas vivendo com HIV e que usam seu tratamento usual, 97% das pessoas infectadas com genótipo 3 (um dos mais graves), incluindo aquelas com cirrose (96%).

"Do ponto de vista do provedor de tratamento, isso é muito estimulante, pois esperávamos por um tratamento robusto, acessível e simples, tolerado por todos os grupos de pacientes, incluindo aqueles cujos resultados são atualmente mais fracos, como pacientes sob terapia antirretroviral", disse Pierre Mendiharat, vice-diretor de operações dos Médicos Sem Fronteiras. "Isso será crucial para expandir o tratamento às categorias mais vulneráveis de pacientes nos países em desenvolvimento."

A erradica√ß√£o da doen√ßa ser√° feita por meio de diagn√≥stico e tratamento, j√° que n√£o existe vacina que evite a hepatite C Imagem: Fernando Nascimento/Sigmapress/Estad√£o Conte√ļdo

Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), a hepatite C afeta 71 milhões de pessoas no mundo. De acordo com o Ministério da Saúde, mais de 27 mil pessoas foram diagnosticadas no Brasil em 2016. Apesar de hoje ser considerada uma doença curável em 98% dos casos, o problema preocupa os médicos por ser silencioso, já que não tem sintomas, e causar lesões graves no fígado, que inclusive podem ser fatais.

Para seguir a recomendação da OMS e erradicar a doença até 2030, testes rápidos de diagnósticos são disponibilizados pelo SUS, assim como um tratamento eficaz. “Até 2017 o Brasil não tinha um tratamento universal para a hepatite C. Antes, o governo tratava apenas pacientes com genótipos 3 e 4, os mais graves, e em algumas situações pessoas com o tipo 2”, diz Sergio Cimerman, presidente da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia). “Agora, neste ano, o país resolveu tratar todos os doentes, independente do grau de lesão no fígado.”

Não existe vacina contra a hepatite C, mas o tratamento é eficaz e disponível no SUS. De acordo com Cimerman, o protocolo aprovado e divulgado em julho do ano passado incluirá todas as drogas que já eram disponibilizadas para o tratamento e outras duas novas (viekira e vepatier). “O grande benefício do tratamento atual é que todas as drogas tratam com 12 semanas, em vez de um ano, como era antes. Além disso, os efeitos colaterais praticamente não existem.”

O presidente da SBI ainda confirmou que mais duas drogas (maviret e epiclusa) serão aprovadas ainda neste ano e beneficiarão ainda mais quem já faz o tratamento, já que podem ser utilizadas em todos os tipos de genótipos. Segundo Cimerman, os medicamentos disponíveis hoje apresentam chance de cura de 90% a 98%. 

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Fonte: UOL

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