16 de abril de 2018 às 18:00

Na véspera do julgamento, Aécio cobra acesso a provas e diz PGR "falseou" informações

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) cobrou nesta segunda-feira (16) que o STF (Supremo Tribunal Federal) lhe garanta o acesso às provas produzidas durante as investigações sobre as supostas irregularidades da delação de executivos do grupo JBS antes do julgam

Crédito:Renato Costa/Folhapress

Renato Costa/Folhapress

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) cobrou nesta segunda-feira (16) que o STF (Supremo Tribunal Federal) lhe garanta o acesso às provas produzidas durante as investigações sobre as supostas irregularidades da delação de executivos do grupo JBS antes do julgamento do recebimento da denúncia contra o tucano, marcado para esta terça (17), na 1ª Turma da Corte

Aécio divulgou nota e convocou a imprensa ao seu gabinete no Senado Federal para se defender. Ele disse ter a favor dele "os fatos e a verdade" contra o que chamou de "tsunami de versões" que o atingem.

"Estamos vendo um pré-julgamento generalizado em cima de imagens, em cima de versões. Cabe a mim, portanto, trazer de forma clara e efetiva os fatos que ocorreram esperando, inclusive, que amanhã eu possa ter o mesmo benefício que outros investigados tiveram por parte do STF, que é o acesso às provas. Isso é essencial para que a minha defesa seja feita de forma adequada", falou.

Aécio afirmou ainda haver ilegalidade no processo, pois a PGR estaria a par de gravações "clandestinas" suas com Joesley Batista com o objetivo de fechar a delação premiada e o perdão de seus crimes. O senador falou ainda que a PGR "falseou" informação para impor as medidas cautelares contra ele, como o afastamento do mandato parlamentar ao "criar vínculo inexistente" com outros investigados.

No comunicado emitido pela defesa do tucano, o advogado Alberto Zacharias Toron informou que formulou "reiterados pedidos" desde que a denúncia foi oferecida pela PGR (Procuradoria-Geral da República), no ano passado, baseada na colaboração premiada de Joesley Batista, um dos donos do grupo empresarial JBS.

"Considerando que se trata de direito constitucionalmente previsto, é imprescindível que o acesso seja deferido antes da votação do recebimento da denúncia, uma vez que esses elementos podem comprovar a ilegalidade de provas e das armadilhas arquitetadas contra o senador com a participação de membros do MPF. O STF já garantiu que Joesley Batista e Marcelo Miller tenham acesso a vários documentos, não sendo razoável que se aja de forma diversa com o senador", escreveu Toron.

Segundo o advogado, "as graves irregularidades que envolvem a delação da JBS, que levaram ao pedido de rescisão do acordo pela PGR - -pedido que aguarda há sete meses para ser pautado-- justificam toda a cautela com as provas daí oriundas". "O amplo direito de defesa é garantia dada pela Constituição a todos os brasileiros", afirmou.

Na última quinta (12), o relator do inquérito no STF, ministro Marco Aurélio Mello negou pedido apresentado pela defesa da irmã de Aécio, Andréa Neves, e manteve o julgamento para esta terça.

O advogado dela, Marcelo Leonardo, pediu que o julgamento fosse realizado no dia 24, com o argumento de que no dia 17 já estava marcado o julgamento de processo contra outra cliente dele no STJ (Superior Tribunal de Justiça).

A 1ª Turma do STF vai decidir se recebe a denúncia contra Aécio, Andréa e outros dois acusados. Se a denúncia for recebida, é então aberto um processo penal no qual o senador se torna réu, assim como os outros acusados. Apenas ao final do processo será decidido se ele é culpado ou inocente.

Fonte: UOL

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