13 de maro de 2018 às 12:50

"Não me submeto à pressão", diz Cármen Lúcia sobre prisão após 2ª instância

A ministra Cármen Lúcia, presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), disse nesta terça-feira (13) que não irá ceder à pressão de políticos para incluir na pauta do Supremo a análise sobre prisão após segunda instância.

Crédito:Pedro Ladeira/Folhapress

Pedro Ladeira/Folhapress

O presidente Michel Temer deixa a casa da ministra Carmen Lucia após conversa no sábado

A ministra Cármen Lúcia, presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), disse nesta terça-feira (13) que não irá ceder à pressão de políticos para incluir na pauta do Supremo a análise sobre prisão após segunda instância.

"Eu não lido, eu simplesmente não me submeto à pressão", afirmou a ministra ao ser questionada sobre a pressão de políticos durante debate promovido pelo jornal "Folha de S.Paulo" na capital paulista. Desde que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi condenado em segunda instância, em janeiro, há uma pressão sobre a presidente do Supremo para colocar o tema em pauta.

Em 2016 o STF decidiu, por maioria de 6 votos a 5, que era possível um condenado começar a cumprir a pena de prisão após um tribunal de segunda instância confirmar sua condenação.

Esse é o caso de Lula, após ter sua condenação por corrupção passiva e lavagem de dinheiro confirmada pelo TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região). A defesa de Lula entrou com recurso no STF pedindo que a pena de 12 anos e 1 mês de prisão não seja executava após o julgamento dos recursos.

Nesta quarta-feira, Cármen Lúcia deve receber um dos advogados de Lula, o ex-ministro do STF Sepúlveda Pertence.

Apesar da decisão de 2016 do STF, duas das ações que tratam do tema ainda não foram julgadas em definitivo pelo Supremo, o que, em tese, poderia levar à uma mudança no placar do julgamento. 

A presidente do STF participou na manhã desta terça do evento "Mulheres no Poder". Durante o evento, Cármen Lúcia disse ter sofrido preconceito ao fazer concurso para PGR (Procuradoria-Geral da República) em 1982. Segundo ela, entrevistadores à época deixaram claro que tinham preferência por homens.

Ela avalia, entretanto, que houve uma evolução dentro do Judiciário em relação à presença de mulheres. A resistência, contudo, persiste quando elas assumem a chefia.

"Não queremos diminuir o direito dos homens, queremos andar juntos", disse a ministra. "É ainda uma sociedade machista, com olhos muito pouco agradáveis às mulheres, principalmente, aquelas que cheguem a postos de comando, postos de direção", completou.

Fonte: UOL

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