11 de julho de 2018 às 04:00

O gás tá caro? Pesquisador brasileiro cria fogão movido a energia solar

Cozinhar está caro. E aqui não falamos do preço dos alimentos, mas sim do gás de cozinha: o valor médio de um botijão no Brasil em junho foi de R$ 68,77, segundo dados da Agência Nacional  do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). E essa conta dev

Crédito:UFRN/divulgação

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Fogão solar concentra radiação solar no centro para aquecer alimentos

Cozinhar está caro. E aqui não falamos do preço dos alimentos, mas sim do gás de cozinha: o valor médio de um botijão no Brasil em junho foi de R$ 68,77, segundo dados da Agência Nacional  do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). E essa conta deve ficar ainda mais salgada.

Se dependesse do paraibano Luiz Guilherme Meira de Souza, coordenador do curso de Engenharia Mecânica da Universidade Federal do Rio Grande do Norte haveria uma alternativa acessível aos botijões. E ela envolveria um recurso natural especialmente abundante no Brasil: a luz solar.

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Luiz Guilherme pesquisa energia solar há 30 anos e já ajudou a projetar dezenas de fornos e fogões solares. "Eu construí meu primeiro fogão solar em 1986 na UFRN, quando vim para Natal. Isso depois de me formar na Universidade Federal da Paraíba, que é uma das referências no estudo de energia solar junto com a Unicamp", afirma.

É natural que ao ouvirmos falar de um projeto do tipo surjam dúvidas sobre a sua viabilidade e, principalmente, funcionalidade. De acordo com Luiz Guilherme, seus estudos - e também de alunos formados pela UFRN - levaram isso em consideração.

"O fogão solar em si não é criação minha, mas eu comecei a usar novos materiais e especificações para a parábola de maneira a torná-lo competitivo em relação ao desempenho do fogão a gás".

O princípio de funcionamento do fogão solar envolve parábolas reflexivas capazes de concentrar a radiação do sol em direção ao que seriam as "bocas" de um fogão convencional. Luiz Guilherme explica que cálculos determinam o formato da parábola e do seu posicionamento. Em seguida, é feito um molde de areia ou cimento, que dará forma à base da parábola.

Os materiais utilizados para a base da parábola variam, podendo ser fibra de vidro, resina, entre outros. Uma vez moldada, a parte de dentro da parábola é revestida de pedaços de espelhos, que podem ser obtidos de sucata.

Cada "boca" do fogão tem mais de uma parábola e todas elas são as responsáveis por concentrar a radiação solar. "Se usássemos apenas um foco solar, o desempenho não seria tão bom quanto o de um fogão a gás".

No caso do forno, as "prateleiras" de um dispositivo comum são substituídas por caixas pretas, onde as formas ficam alocadas. Também há refletores em sua base, o que ajuda a criar um efeito estufa. "Já criamos versões capazes de assar oito bolos de uma vez", conta.

Luiz Guilherme estima que um forno do tipo ocuparia um espaço de 1 m². Já o fogão, por cada boca ter mais de uma parábola, seria maior. Algo em torno de 2 m².

Um aparelho do tipo, logicamente, seria utilizado no exterior das casas. "Não daria para usar na chuva, por exemplo. Mas em regiões como o Nordeste, que tem um clima mais ensolarado e quente, ele seria totalmente viável. Nós mesmos da universidade usamos frequentemente para cozinhar diversos pratos".

Luiz Guilherme também vê esses aparelhos sendo usados como ferramenta para complemento de renda. "Um forno capaz de assar oito ou nove bolos ao mesmo tempo, sem gasto com energia e sem poluição, poderia ser de grande ajuda para quem vende bolos, por exemplo".

Ele estima que um forno solar custaria algo em torno de R$ 300 e um fogão, por ter diversas parábolas, por volta de R$ 700. Há, porém, um detalhe: "Esses valores valem para a fabricação artesanal e poderiam cair drasticamente se eles fossem produzidos em massa".

Para esses projetos saírem dos laboratórios das universidades, Luiz Guilherme afirma que a participação do poder público seria essencial. "Seria interessante que esse assunto fosse tratado como política pública, nem que fosse para ensinar a construir os fornos e fogões. São criações capazes de ajudar as pessoas mais pobres. Infelizmente falta vontade política".

"Nas palestras que dou, eu sempre conclamo o poder público e líderes comunitários a entrarem em contato para que a gente possa difundir essas tecnologias. Seria uma solução para pessoas de baixo poder aquisitivo não apenas economizarem, mas também poderem gerar renda".

Infelizmente, até o momento não há qualquer iniciativa nesse sentido. Isso, porém, não desanima Luiz Guilherme, que continua suas pesquisas e faz o que é possível: esperar. "Torço que um dia não só esses fornos e fogões, mas também outras soluções pensadas em todo o país para ajudar a população sejam utilizadas na prática".

Fonte: UOL

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