14 de junho de 2018 às 04:00

Patinetes elétricos podem mudar mobilidade urbana, mas apresentam dilemas

Ter que andar 2 km de um lugar para outro em uma cidade grande demanda certo esforço físico ou pode ser um exercício de paciência no trânsito. Em alguns lugares dos Estados Unidos, este trajeto pode ser feito com patinetes elétricos alugáveis, capazes de

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Miami, Los Angeles e San Francisco são cidades que já receberam os patinetes da Bird

Ter que andar 2 km de um lugar para outro em uma cidade grande demanda certo esforço físico ou pode ser um exercício de paciência no trânsito. Em alguns lugares dos Estados Unidos, este trajeto pode ser feito com patinetes elétricos alugáveis, capazes de deslocarem uma pessoa a até 24 km/h em trajetos curtos.

Trata-se de mais um serviço nos moldes disruptivos da Uber ou do Airbnb, embora sem ter uma indústria consolidada afetada diretamente, como táxis e hotéis foram afetados pelos aplicativos de corridas compartilhadas e aluguel de quartos. O grande expoente deste novo filão do mercado tecnológico é a Bird, uma startup avaliada em mais de US$ 1 bilhão e que recebeu uma rodada de investimentos de US$ 150 milhões no fim de maio.

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Kevin Roose, do "New York Times", explicou como funciona: você dá sua carteira de motorista, registra um cartão de crédito, aceita uns termos básicos (como não andar em calçadas) e aí escaneia um código no guidão do patinete com o app no celular. O veículo apita e a trava dele é liberada para o uso.

Com o patinete em mãos, é possível fugir do trânsito e se deslocar mais rápido do que você faria a pé. O preço cobrado pela Bird é de US$ 1,15 (R$ 4,27, na cotação de hoje) pelo minuto de aluguel. Ou seja, aqueles 2 km seriam percorridos pelo menos cinco minutos, custando no mínimo US$ 5,75 (R$ 21,35).

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Encerrada a viagem, você estaciona onde quiser, conclui a corrida no aplicativo e tira uma foto de onde ficou o veículo para auxiliar o próximo usuário a encontrá-lo.

O preço não é baixo, especialmente se considerada a conversão para o real, mas pode sair mais barato do que pegar um carro no engarrafamento – além de não poluir, já que se trata de um meio de transporte elétrico.

De acordo com o levantamento do "New York Times", os patinetes elétricos também são seguros, contrariando uma impressão de que os usuários deles levariam riscos a pedestres e se colocariam em risco nas ruas, ao trafegarem ao lado de carros. Só que, na prática, não há dados que sustentem essa percepção.

Utilizando como exemplo a cidade de Santa Monica, na Califórnia, o jornal obteve informações que só cinco incidentes envolvendo patinetes ocorreram desde novembro.

Outra crítica feita ao serviço é que ele estaria congestionando calçadas com patinetes estacionados após o uso. Esse questionamento é válido, dado que, repentinamente, centenas de unidades do veículo passaram a circular pelas ruas e costumam ser deixados em lugares com grande circulação de pessoas.

Ainda assim, isso é um problema contornável: basta a criação de espaços para estacionamento dos patinetes nas ruas ou calçadas, como carros ou ônibus têm.

Existe ainda outro potencial adversário aos veículos, um problema que é inexistente no Brasil.

Em cidades como San Francisco, a proliferação dos patinetes elétricos foi interpretada como um simbolismo do elitismo do mundo da tecnologia. A cidade, cujo metro quadrado encareceu com o aumento do número de grandes empresas no Vale do Silício, passou a ter desafios de moradia àqueles que não são remunerados pelos Facebooks e Googles da região.

Uma consequência disso foi uma rejeição aos símbolos criados pela indústria tecnológica por parte dessa população marginalizada pelas fortunas dela. Os patinetes da Bird são um deles, tendo sido vandalizados e usados em protestos contra essa elitização.

Ainda não existe um equivalente à Bird aqui no Brasil, embora em breve paulistanos poderão alugar bicicletas em um esquema parecido, da startup Yellow. A empresa de aluguel de bicicletas, sem uma estação, estreia na capital do Estado São Paulo em julho. Os veículos serão destravados por app, cobrarão por distância rodada e serão rastreados por GPS.

Fonte: UOL

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