12 de maro de 2018 às 04:00

Por que os celulares não são feitos de materiais mais resistentes?

O smartphone já virou seu melhor amigo, mas... que amigo fracote, não? Qualquer ventinho parece abalar a relação: é a tela que quebra toda hora, a bateria que estraga, a traseira que arranha, a quina que se despedaça. Mesmo que as fabricantes insistam em

Crédito:Getty Images/iStockphoto

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O smartphone já virou seu melhor amigo, mas... que amigo fracote, não? Qualquer ventinho parece abalar a relação: é a tela que quebra toda hora, a bateria que estraga, a traseira que arranha, a quina que se despedaça. Mesmo que as fabricantes insistam em dizer que se preocupam com isso, vira e mexe nos pegamos com medo de perder o nosso valioso companheiro.

Um levantamento da Rede Multi Assistência analisou 5.200 casos de conserto registrados por sua rede de franqueadas entre julho de 2016 e abril de 2017 e constatou que 60% dos problemas não relacionados a software envolviam consertos na tela.

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Uma navegada no site "Reclame Aqui" também coloca a tela quebrada entre as dez principais queixas dos consumidores. No momento, Samsung, Motorola e Sony eram os maiores alvos e registravam, pela ordem, 4.573, 4.408 e 2.652 reclamações.

Márcio Padrão/UOL >

E a Apple? Bem, no Reclame Aqui há "apenas" 586 iPhones com tela quebrada --e isso poderia ser explicado de duas maneiras: poucos usuários da marca se arriscam a sair de casa sem capas e películas protetoras e há menos pessoas usando iPhones no país do que celulares Android. Já a Rede Multi Assistência indicou, na época da  pesquisa, que o iPhone 5S foi o que mais precisou desse tipo de reparo, seguido pelo Samsung J5 e o Motorola G3.

Ano passado, ouvimos diversas assistências técnicas, que confirmaram que o problema era generalizado. 

Mas o corpo dos aparelhos também é visto com desconfiança pelos consumidores.

Seja feito de metal, vidro resistente ou plástico (policarbonato), ninguém realmente acredita que eles aguentam quedas. Por isso, capas protetoras de silicone, que garantem sobrevida a produtos tão caros, são tão populares.

Reprodução >

Pode não parecer, mas as empresa investem em durabilidade, principalmente nos modelos mais caros. Nos últimos anos, passaram a usar materiais mais resistentes, como ligas de alumínio série 6.000 e 7.000 (usadas na aeronáutica), aço inoxidável e principalmente o vidro resistente Gorilla Glass.

A Motorola, apesar de colecionar críticas, sobretudo nas linhas mais baratas, tem experimentado construções mais fortes. O Razr, de 2011, tinha corpo de kevlar, usado em coletes à prova de balas. E atualmente é dona do modelo top de linha mais resistente: o Moto Z2 Force, com um vidro especial com várias camadas de proteção.

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As demais marcas também se esforçam, mas, de novo, privilegiam modelos mais caros. As versões mais atuais das linhas Galaxy S (Samsung), Xperia XZ (Sony), G6 (LG) e iPhones 8 e X (Apple) ganham alumínio ou vidro Gorilla Glass não só na tela, mas também na parte traseira.

Por que não estender isso a todos os modelos, então? 

Um celular barato, para chegar a um preço acessível, não consegue trazer todas as tecnologias de resistência que estamos desenvolvendo, até que elas atinjam uma certa escala de produção

Renato Arradi, gerente de produto da Motorola no Brasil

Divulgação >

Além disso, a escolha dos materiais afeta questões tão importantes quanto a durabilidade do produto, como design, usabilidade e performance.

É por isso, por exemplo, que a borracha ou o popular silicone das capinhas não faz parte dos materiais usados. "Ele deixa o telefone maior, poroso, maleável, mais sujeito a cortes", diz Arradi.

A justificativa é endossada por Renato Citrini, gerente sênior de produtos de celular da Samsung no Brasil, Ana Peretti, diretora de marketing da Sony no Brasil, e Marcel Campos, diretor global de marketing da Asus.

"Em três meses, uma capa está toda suja e marcada. Se estragou a capa, você substitui. No corpo do smartphone, não é essa a experiência que queremos manter", diz Citrini. 

"Não sei se borracha é o melhor acabamento para tudo que gira dentro [do celular], pois há o processador rodando, coisas aquecendo no interior", argumenta Peretti.

Reprodução >

"No passado era assim (com borracha no corpo), mas o iPhone 4 trouxe vidro na traseira e as pessoas gostaram. O vidro não escorrega e adere bem à mão", aponta Campos:

As pessoas querem um celular bonito para caramba, ainda que coloquem depois uma capinha horrível da Hello Kitty

Portanto, se você ainda está insatisfeito com a fragilidade do seu celular, você pode aceitar o resumo que Citrini deu para que isso aconteça:

"Fazer um celular resistente é fácil. Produzir milhares por dia é um baita desafio. Requer muita pesquisa e desenvolvimento para chegar a esse resultado".

Ou você pode continuar ignorando as explicações das marcas e ainda querer mais resistência. E com razão, pois afinal, seu celular é um investimento caro que não merece quebrar na primeira queda no concreto.

Fonte: UOL

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