13 de abril de 2018 às 06:26

Project46: a pancadaria sonora envereda por novos caminhos

Marcelo Moreira

Uma busca interior embalada por um som avassalador. É possível atingir tal objetivo? O cantor Caio MacBeserra diz que sim. E muita gente que ouve “TR3S”, o novo álbum da banda paulistana Project46 concorda com isso.

A promissora bandas de heavy metal que flertava com hardcore já é uma realidade em seu terceiro disco e amadurecimento levou o grupo a um outro patamar, a ponto de o quinteto mostrar coragem e passar um mês em Los Angeles, nos Estados Unidos, para gravar com o mago da produção de som pesado de bandas brasileiras, Adair Daufembach.

“A experiência foi fascinante, ficamos internados e focados na gravamos. Sentimos que precisávamos dar esse passo e tinha que ser com o Adair, que já conhece o nosso som”, diz o vocalista.

Ele é econômico e diplomático ao falar sobre o que mudou dos dois álbuns anteriores para o terceiro em termos de produção. Acredita que há estúdios e produtores excelentes no Brasil, e joga a “magia” para o conhecimento do produtor – e para os novos rumos que a banda toma com a chegada de dois novos integrantes, o baixista Baffo Neto (Capadocia) e o baterista Betto Cardoso.

“O som ficou diferente, encontramos timbres e possibilidades que nos empurraram para frente, que nos desafiaram. Valeu todo o investimento que tivemos de fazer”, comemora MacBeserra.

Essa fase de evolução teve uma mudança importante na questão dos temas abordados pelo grupo. O que era uma porrada sonora envolvendo letras de protesto e com muita raiva transitou para letras que procuram explicar conflitos internos dentro de nós.

O som ainda é violento, mas a sonoridade está bem mais na “cara”, com uma timbragem de instrumentos mais bem definida. É uma tijolada em português, fazendo a banda ombrear, em seu segmento, com a ótima banda carioca Confronto.

Project46 com a nova formação, com Caio MacBeserra ao centro (FOTO: DIVULGAÇÃO)

Por que mudar o direcionamento de forma tão drástica no terceiro disco? MacBeserra não vê dessa forma: “Não creio que foi drástica. Encaro como uma necessidade artística e uma evolução natural. A aceitação foi ótima e todo munda canta as músicas novas, já temos candidatas a novos hits.”

É o caso, por exemplo, de “Rédeas”, que é uma das mais músicas mais fortes. O vocalista concorda que o público abraçou a canção, que fala da necessidade de perseguir os seus sonhos e impedir que outras forças atrapalhem o caminho.

É uma canção pesada que fica ainda mais pesada ao vivo, uma característica que poucas bandas conseguem. “Não sei se é uma especialidade nossa. A gente consegue passar uma energia muito grande no palco e as canções saem redondas e mais intensas. Somos uma banda de heavy metal que quer soar como muito peso.”

Aceitação nunca foi um problema para o Project46. Desde a estreia, com o álbum “Doa a Quem Doer”, o grupo conquistou um público que possibilitou aos integrantes montar um plano ousado de carreira.

Foi esse suporte que permitiu à banda investir em equipamentos e gravar o novo álbum no exterior. Houve uma campanha de financiamento coletivo para isso, como destacou MacBeserra, mas o quinteto já imaginava fazer a “loucura”.

“Era uma meta nossa, um investimento necessário e que nos possibilitaria mudar de patamar, ou pelo menos a começar a mudar. Todo mundo raspou as reservas e, com o financiamento coletivo, deu certo. Não sei se recorreremos a essa modalidade no futuro, espero que tenhamos mais condições para mantermos o nível”, diz o vocalista.

As coisas estão indo muito bem para o Project46, que está superando as dificuldades da crise econômica, mas que não está imune a ela. A luta agora é para ampliar as possibilidades de shows por todo o Brasil e conseguir organizar turnês.

“Queremos tocar. E Vamos tocar em qualquer lugar, em qualquer cidade. É só nos chamar. Somos uma banda de palco e de estrada. Fazemos em média cinco shows por mês e queremos muito aumentar a quantidade”, finaliza MacBeserra.

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Fonte: UOL

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