16 de maio de 2018 às 04:00

Serviço cria vaquinha virtual para rachar seguro de iPhone

Grande parte das pessoas já foi vítima ou conhece alguém que teve o smartphone roubado ou furtado. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP), aconteceram mais de 819 mil roubos/furtos no estado em 2017, sendo que 22,8% das ocorrên

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A Pier inventou um fundo coletivo para repor iPhones em caso de roubo

Grande parte das pessoas já foi vítima ou conhece alguém que teve o smartphone roubado ou furtado. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP), aconteceram mais de 819 mil roubos/furtos no estado em 2017, sendo que 22,8% das ocorrências envolveram aparelhos de telecomunicação.

Em contrapartida, a Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg) registra que 300 mil celulares foram indenizados em 2017 e os prêmios (valores pagos pelo segurado à seguradora) saltaram de R$ 530 milhões, em 2016, para R$ 900 milhões, em 2017 – um aumento de 70%.

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No entanto, nem todo mundo entende ou se satisfaz com as condições impostas pelas seguradoras tradicionais para o reembolso ou ressarcimento do aparelho perdido. Visando esse público, a startup Pier lançou um modelo de "vaquinha virtual" para que usuários possam compartilhar o risco e ter seu suado celularzão de volta. "Há uma dificuldade muito grande de entender o produto e a burocracia da seguradora. Tentamos simplificar ao máximo e eliminar tudo que gera dúvida", explica um dos fundadores, Lucas Prado.

Por enquanto o serviço é só para os smartphones da Apple, mas os sócios já estão de olho na demanda por cobertura futura de aparelhos de outros fabricantes - até notebooks poderão ganhar cobertura. Os criadores dizem que deixaram o Android de fora por considerar o iPhone um nicho menor e "mais seguro" - para eles, o iOS é menos vulnerável a eventuais fraudes. 

Para participar do grupo, o usuário preenche uma solicitação no site da empresa e passa por uma análise que contempla confirmação de identidade, exposição de risco e DNA digital. De acordo com Prado, esse último quesito analisa se o comportamento virtual do usuário é próximo ao dos outros membros do grupo. Ser indicado por amigos já participantes aumenta as chances de aprovação.

Os que forem aceitos, devem instalar o aplicativo da Pier no iPhone segurado e contribuir com os valores mensais para ter direito à proteção contra roubo, furto qualificado e furto simples. Danos físicos e perdas não entram na garantia.

Diferentemente dos seguros tradicionais, a Pier não pede a nota fiscal do iPhone, não cobra franquia, não estipula carência e cobre aparelhos com mais de 12 meses de uso.

Para se resguardar de que não estão protegendo um smartphone fruto de roubo, os sócios da Pier dizem utilizar o controle Celular Legal, disponível no site da Anatel, que indica aparelhos roubados ou furtados, por meio do IMEI (código que cada aparelho tem, individualmente, e é bloqueado quando o produto é extraviado). "A nota fiscal é uma grande dor de cabeça, principalmente para quem compra iPhone fora do País. Conseguimos ter uma rastreabilidade mesmo sem o documento" afirma Prado.

Uma vez aceito no grupo, o usuário passa a arcar com um pagamento mensal, que varia de acordo com o modelo do iPhone, tempo de uso e outras regras. Ele também pode escolher se, em caso de roubo ou furto, receberá 80% do valor de um seminovo ou o valor integral.

Para um iPhone 5 de 16 GB, o valor mensal da proteção parcial é de R$ 11,90 no plano econômico. Para um iPhone X de 256 GB, a contribuição é de R$ 99,90 por mês. O valor de um novo é R$ 7.799. 

A reportagem comparou os valores com algumas seguradoras do mercado. Na Bem Mais Seguro, a cobertura para um iPhone X de 256 GB custa a partir de R$ 166,42 por mês, mas contempla, além de roubo, quebra e dano por líquidos. Na Porto Seguro, o valor sai a partir de R$ 1309,83, dividido em até quatro parcelas de R$ 327,45, também com cobertura para danos físicos e elétricos (valores consultados nos respectivos sites, em 14 de maio de 2018).

Do valor das mensalidades, depois de descontadas as taxas e os impostos, 20% vão para a taxa administrativa da Pier e 80% para o fundo de reserva da comunidade, usado para o pagamento em casos de reembolsos. "Atualizamos essa tabela duas vezes por ano e nos baseamos em um site chamado TrocaFone, que vende seminovos. Olhamos o melhor aparelho possível, que não seja novo", explica Igor Mascarenhas, um dos fundadores. Um iPhone X de 256 GB novo, no site da Apple, sai por R$ 7.799, já na cotação do Pier o valor é de R$ 6.500.

De acordo com os sócios da Pier, para que um grupo se torne viável é necessário ter, em média, 500 membros. Atualmente, eles operam com a primeira comunidade.

Para receber o reembolso, o usuário deve manter o aplicativo instalado, informar o roubo à Pier, registrar Boletim de Ocorrência, bloquear o IMEI do aparelho e estar adimplente com os pagamentos. De acordo com eles, o valor cai na conta em até três dias.

Se o número de reembolsos comprometer o fundo de reserva do grupo, a Pier notifica os usuários sobre um aumento na mensalidade que pode chegar a até 20%. De acordo com eles, isso é uma forma de manter o balanço financeiro saudável e o contrário também pode acontecer: se o montante exceder o teto necessário, as mensalidades podem ter descontos temporários.

A Pier é uma startup que recebeu aporte de R$ 600 mil, de 12 investidores-anjo. Uma parte dos recursos foi investida na reserva da primeira comunidade.

Os sócios frisam que não se trata de uma seguradora convencional. "É uma plataforma de compartilhamento que permite aos usuários protegerem seus iPhones, com pessoas confiáveis", afirma Prado.

Fonte: UOL

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